No último dia 19, a Rádio Universitária AM realizou um debate sobre a TV digital no Brasil. Os convidados foram Guida Gomes, editora da equipe de jornalismo da TVU, e o professor Carlos Ferraz, do Centro de informática (CIn) da UFPE, e diretor adjunto do C.E.S.A.R. Durante uma hora, eles expuseram pontos relevantes acerca do novo sistema de comunicação e levantaram alguns questionamentos.
Ao ser perguntado sobre a escolha do modelo de TV digital implantado no País, o professor informou que este se assemelha em muito ao japonês, embora seja totalmente desenvolvido para o Brasil. O afastamento do Brasil em relação ao sistema europeu se deve às diferentes condições geográficas e de urbanização nesses dois lugares. “O Brasil é o primeiro país tropical a implantar a TV digital. O perfil urbano do País e sua formação geográfica requerem um sistema mais robusto, mais assemelhado ao utilizado no Japão”, pontua Carlos.
Guida levantou aspectos sociais do tema. Ela acha que a discussão tem se limitado muito apenas aos aspectos técnicos, e que importantes etapas foram puladas. “Não se pode esquecer que a TV é uma concessão pública e deve ser democrática. Como se viabilizará o acesso a isso? Deve-se discutir o custo para o usuário”.
Ao tratar da modernização doméstica, Carlos Ferraz espera que esta seja impulsionada pela Copa do Mundo de 2010. A comum procura por aparelhos de TV em época de Copa deve popularizar o acesso ao item. Contudo, ao pontuar a interatividade como maior diferencial da TV digital, o professor não conseguiu precisar o prazo para sua implementação.
O debate contou também com a participação de ouvintes. Conversor, aparelho utilizado para receber o sinal digital. Carlos disse que ainda não há modelos de conversor que possibilitem conexão a mais de um aparelho de TV. “A grande questão aí é o controle remoto: o serviço digital é acessado pelo conversor e não pela TV. A não ser que se assista à mesma programação nos aparelhos de TV. Essa preocupação não acontece em TV com conversor embutido”.
No debate, citou-se ainda que, na Inglaterra, país mais avançado no acesso à TV digital, o prazo para o fim das transmissões analógicas expirou em 2006, mas foi prorrogado até 2012. “No Brasil, o prazo é 2016, mas não se afastou a possibilidade de prorrogação”, disse o debatente.
Mais informações sobre o debate no site da rádio.